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23.8.08

    E apesar de tudo,

    ainda sou a mesma!

    Livre e esguia,

    filha eterna de quanta rebeldia

    me sagrou.

    Mãe-África!



    Mãe forte da floresta e do deserto,

    ainda sou,

    a irmã-mulher

    de tudo o que em ti vibra

    puro e incerto!...



    A dos coqueiros,

    de cabeleiras verdes

    e corpos arrojados

    sobre o azul...



    A do dendém

    nascendo dos abraços

    das palmeiras...



    A do sol bom,

    mordendo

    o chão das Ingombotas...



    A das acácias rubras,

    salpicando de sangue as avenidas,

    longas e floridas...

    Sim!, ainda sou a mesma.



    A do amor transbordando



    pelos carregadores do cais

    suados e confusos,

    pelos bairros imundos e dormentes

    (Rua 11...Rua 11...)



    pelos negros meninos

    de barriga inchada

    e olhos fundos...



    Sem dores nem alegrias,

    de tronco nu e musculoso,

    a raça escreve a prumo,

    a força destes dias...

    E eu revendo ainda

    e sempre, nela,

    aquela

    longa historia inconseqüente...



    Terra!

    Minha, eternamente...



    Terra das acácias,

    dos dongos,

    dos cólios baloiçando,

    mansamente... mansamente!...



    Terra!

    Ainda sou a mesma!



    Ainda sou

    a que num canto novo,

    pura e livre,

    me levanto,

    ao aceno do teu Povo!...


 


Poema de Aida Lara


encontrado aqui

link do postPor sapo equipa, às 16:25  comentar

 

 
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